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areaardida

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A comunicação social local

A comunicação social local é uma galdéria. Vive amancebada (por cá, mais prosaicamente diz-se aputada) com o poder. O poder (político, económico, religioso, ...) mantém-lhe casa posta e as extravagâncias de mulher da vida. A contrapartida é a sua disponibilidade para tudo. É a acompanhante de luxo ou a rameira de estrada de quem lhe satisfaz os caprichos, que se resumem praticamente em mostrar-se, sair, exibir os panos de mau gosto e o pechisbeque barato dos adornos de fantasia. Excepção feita a uma ou outra jóia verdadeira que, por engano ou por generosidade, alguém, de boa fé, lhe oferece. Usa saia curta na ilusão de seduzir o incauto cidadão. Mas a perna escanzelada, com a sua nódoa negra de mau trato suspeitoso, afasta, por mais carente, o homem de bom gosto. Coxeia ligeiramente.

Carrega desastradamente na base, no blush, esborrata rímel a granel, usa batom rosa-choque, pinta a madeixa de laranja vivo. Sua do sovaco – e no Verão incomoda. O cinto de argola dourada ou pele de imitação estreluz-lhe na anca abundante, relevando barriga que tenta disfarçar como pode as comezainas à borla (que plebeísmo   ! Mas, dado o tema, espero que não se note muito). Cai-lhe a unha artificial, de quando em vez, na sopa do poder. Este enoja-se, nas come. Precisa dela. E, bem vistas as coisas, até nem se dão mal, há afinidades, passa a corrente. Lá amor...

Falta-lhe um dente quando ri, assiste ao programa da Júlia e segue a novela das nove. É doméstica, no sentido antigo da palavra. Dói-se dos pobrezinhos, acha muita graça à tradição, comove-se com o espírito do Natal e, por isso, manda muitos postais de boas-festas onde lhe chama quadra festiva. Apresenta o nabo gigante em forma de falo e a vitela que nasceu com cinco patas como a grande notícia da respectiva região, e ninguém sabe onde vai buscar a burra, a velhinha e o molho de lenha com que ilustra a peça sobre os rigores do clima. Eu, que há anos preciso de fotografar tal conjunto, não encontro um por mais que corra. Em pequenina ganhou o hábito de chuchar no dedo. E embora agora já não chuche, ficou-lhe o tique.

Às vezes encontro-a, por acaso. Mas fujo-lhe como posso. Safa!.

 

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